Estrabismo infantil: quais são as opções de tratamento e quando a cirurgia é indicada?

Imagem de uma garotinha com estrabismo
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É comum que os pais notem, ainda nos primeiros anos de vida do filho, um “olhinho torto”, um desalinhamento sutil (ou nem tão sutil) entre os dois olhos. A cena costuma vir acompanhada de dúvidas: isso é normal? Vai passar sozinho? Precisa de cirurgia?

Mais do que uma questão estética, o estrabismo infantil é um sinal que exige atenção rápida. O motivo é simples: quanto antes o diagnóstico é feito, menor o risco de a criança desenvolver perda visual permanente.

Neste artigo, você vai entender quais são as opções de tratamento disponíveis para o estrabismo infantil, do uso de óculos até a cirurgia, e em que momento cada uma delas costuma ser indicada.

Por que tratar o estrabismo infantil o mais cedo possível?

O estrabismo é o desalinhamento entre os dois olhos: um deles pode desviar para dentro, para fora, para cima ou para baixo enquanto o outro permanece fixo no ponto observado.

Quando esse desvio não é tratado logo no início, o cérebro da criança passa a receber duas imagens diferentes e conflitantes. Para lidar com essa confusão, ele tende a “desligar” gradualmente a informação vinda do olho desviado, um fenômeno conhecido como ambliopia, ou “olho preguiçoso”.

O problema é que essa ambliopia tem prazo de validade para ser revertida. Se o estrabismo não for identificado e tratado durante a primeira infância, em geral até os 7 ou 8 anos, a perda de visão no olho afetado pode se tornar permanente, mesmo depois de o alinhamento ocular ser corrigido.

Principais opções de tratamento clínico (sem cirurgia)

Um ponto importante para tranquilizar os pais: nem todo caso de estrabismo infantil termina em centro cirúrgico. Grande parte é resolvida ainda no consultório, com acompanhamento oftalmopediátrico regular.

Uso de óculos de grau

Um dos tipos mais comuns é o estrabismo acomodativo, que surge do esforço excessivo que os olhos fazem para focar devido à hipermetropia (dificuldade para enxergar de perto). Nesses casos, o simples uso do óculos com o grau correto já é capaz de aliviar esse esforço e alinhar os olhos da criança, sem necessidade de qualquer outro procedimento.

Tampão ocular (oclusão)

O tampão ocular não corrige o desvio em si, sua função é tratar a ambliopia. Ao cobrir o olho “bom” por períodos determinados pelo oftalmologista, a criança é obrigada a usar o olho mais fraco, estimulando seu desenvolvimento visual e evitando a perda permanente da visão nele.

Aplicação de toxina botulínica

Em casos selecionados, o chamado “Botox oftalmológico” pode ser aplicado em um dos músculos do olho, paralisando-o temporariamente. Isso ajuda a reequilibrar as forças musculares e alinhar a visão, funcionando como alternativa ou complemento a outras formas de tratamento.

Cirurgia de estrabismo infantil: quando ela é indicada?

A cirurgia costuma entrar em cena quando o desvio não melhora com o uso de óculos, quando o ângulo do estrabismo é muito acentuado, ou quando a causa é puramente anatômica ou mecânica, ou seja, ligada à estrutura dos músculos oculares, e não a um erro de refração.

Diferentemente do que muitos pais imaginam, trata-se de um procedimento seguro. Como é realizado em crianças, é feito sob anestesia geral. Durante a cirurgia, o oftalmologista afrouxa ou fortalece os músculos externos do olho para reposicioná-los corretamente, sem necessidade de abrir o globo ocular internamente. A recuperação, em geral, é rápida.

Acompanhamento contínuo: o segredo para um bom resultado

Cada criança responde de uma forma ao tratamento, e é justamente por isso que o acompanhamento oftalmopediátrico contínuo é o que garante os melhores resultados a longo prazo, seja com óculos, tampão, toxina botulínica ou cirurgia.

Notou algum desvio nos olhos do seu filho? O tempo é o fator mais importante no tratamento do estrabismo infantil. Agende uma avaliação com a equipe de Oftalmopediatria do COI e garanta o desenvolvimento visual saudável da sua criança.

Perguntas frequentes

O estrabismo infantil pode sumir sozinho? É normal que recém-nascidos apresentem leves desvios oculares nos primeiros meses de vida, já que o controle muscular dos olhos ainda está em desenvolvimento. Porém, se o estrabismo for constante ou persistir após os 6 meses de idade, ele não vai desaparecer sozinho e requer avaliação médica imediata.

Como corrigir o estrabismo infantil? A correção depende da causa. Pode envolver o uso de óculos de grau (quando há erro refrativo associado), tampão ocular (para estimular o olho mais fraco e tratar a ambliopia), injeção de toxina botulínica ou, em casos específicos, cirurgia de alinhamento muscular.

Qual a idade ideal para cirurgia de estrabismo infantil? Não existe uma idade única pré-determinada, tudo depende do tipo e da gravidade do desvio. Algumas cirurgias podem ser indicadas ainda no primeiro ano de vida, como na esotropia congênita, enquanto outras podem aguardar um tratamento prévio com tampão ocular. A decisão é sempre feita pelo oftalmopediatra, caso a caso.

Foto de Dr. Ricardo Filippo
Dr. Ricardo Filippo
Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Durante sua vida acadêmica, participou de dezenas de congressos e simpósios, no Brasil e no exterior, e ministrou diversas aulas sobre Oftalmologia. Dr. Ricardo Filippo é especialista em oftalmologia e produz conteúdos sobre saúde ocular. CRM: 5281096-7 | RQE: 17512

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