Saiba quais exames devem ser feitos antes da cirurgia de catarata

exames pré-operatórios para cirurgia de catarata
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Entenda quais exames oftalmológicos e de sangue são necessários para garantir segurança e uma visão nítida após a cirurgia. 

Tomar a decisão de operar a catarata é o primeiro passo para recuperar a nitidez da visão e retomar a qualidade de vida no dia a dia, seja para ler, dirigir ou simplesmente enxergar com conforto.

Como se trata de um procedimento altamente personalizado, o sucesso da cirurgia começa muito antes do paciente entrar no centro cirúrgico: ele começa na avaliação pré-operatória, etapa em que o oftalmologista reúne todas as informações necessárias sobre o olho e a saúde geral do paciente.

Neste artigo, você vai entender quais são os exames antes da cirurgia de catarata, tanto os oftalmológicos quanto os sistêmicos, e por que cada um deles é importante para o resultado final da cirurgia.

Por que a bateria de exames é tão importante?

A cirurgia de catarata moderna não se limita a remover o cristalino opaco. Ela também substitui essa estrutura por uma lente intraocular (LIO) sob medida para o olho de cada paciente, um cálculo que se aproxima de um projeto de engenharia óptica individualizado.

Por isso, os exames pré-operatórios garantem duas coisas fundamentais: a máxima precisão no cálculo do grau dessa lente e a segurança clínica de que o olho e o corpo do paciente estão aptos para o procedimento.

Essa precisão não é apenas uma promessa teórica. Estudos sobre o cálculo biométrico de lentes intraoculares mostram que, com as fórmulas mais atuais e uma bateria de exames bem conduzida, é possível chegar a um resultado dentro de meio grau (±0,50D) do previsto em mais de 90% dos olhos operados.

Na prática, isso significa que quanto mais completo e bem executado for o conjunto de exames pré-operatórios, menor a chance de o paciente precisar de óculos para enxergar bem depois da cirurgia.

A cirurgia de catarata também é, disparado, o procedimento oftalmológico mais realizado no mundo, e no Brasil giram em torno de meio milhão de novos casos da doença surgindo todos os anos.

Esse volume é um dos motivos que levaram a especialidade a desenvolver protocolos de exames cada vez mais refinados: quanto maior a escala do procedimento, maior a exigência por previsibilidade em cada etapa, da avaliação inicial ao pós-operatório.

Principais exames oftalmológicos pré-operatórios

Antes da cirurgia, o oftalmologista utiliza um conjunto de exames para mapear o globo ocular com precisão milimétrica. Confira os principais:

Biometria Ocular

A biometria é o exame mais crucial para a escolha da lente intraocular. Ela mede o comprimento axial do olho e a curvatura da córnea, fornecendo o cálculo exato do grau da lente que será implantada, incluindo opções como as lentes intraoculares premium para pacientes com necessidades específicas de correção visual.

Microscopia Especular da Córnea

Esse exame avalia a saúde das células do endotélio corneano, a camada interna da córnea. É fundamental para garantir que a córnea suportará a energia do ultrassom utilizada durante a remoção da catarata.

Mapeamento de Retina ou Ultrassonografia

É preciso garantir que a retina, o fundo do olho, está saudável antes da cirurgia. Quando a catarata é muito densa e a luz não consegue passar para permitir o mapeamento de retina, o médico recorre à ultrassonografia ocular para realizar essa avaliação.

Topografia de Córnea

A topografia avalia o relevo da córnea e é essencial para os pacientes que desejam implantar lentes premium, como as tóricas. O exame mapeia a presença de astigmatismo irregular, informação que orienta diretamente o planejamento cirúrgico.

Cuidados antes de realizar os exames pré-operatórios

Alguns exames dependem de condições específicas do olho para gerar medidas confiáveis, então pequenos cuidados antes da consulta fazem diferença direta na precisão dos resultados.

  • Lentes de contato: quem usa lentes de contato precisa retirá-las alguns dias antes dos exames, já que elas alteram temporariamente a curvatura da córnea. O prazo costuma variar conforme o tipo de lente e o exame, mas em geral gira entre um e cinco dias sem uso, e vale confirmar o prazo exato com a clínica no momento do agendamento.
  • Óculos e histórico visual: é recomendável levar os óculos atuais e, se houver, resultados de exames oftalmológicos anteriores. Essas informações ajudam o médico a comparar a evolução da visão e a entender melhor o histórico do paciente.
  • Medicações em uso: é importante informar à clínica todos os medicamentos em uso, principalmente anticoagulantes, remédios para pressão e para diabetes, já que eles podem influenciar tanto os exames de sangue quanto a conduta no dia da cirurgia.
  • Jejum: exames de sangue como glicemia costumam exigir jejum de 8 a 12 horas. Vale sempre confirmar essa orientação com o laboratório antes da coleta.
  • Dilatação de pupila: exames como fundo de olho e mapeamento de retina normalmente exigem colírios dilatadores, que deixam a visão embaçada e mais sensível à luz por algumas horas. Por isso, o ideal é ir acompanhado e evitar dirigir logo depois da consulta.
  • Maquiagem nos olhos: é recomendável não usar maquiagem ou cremes na região dos olhos no dia dos exames, já que resíduos podem interferir na leitura de alguns aparelhos.

Seguir essas orientações simples reduz a chance de repetir exames e ajuda o oftalmologista a planejar a cirurgia com mais segurança.

Risco Cirúrgico: os exames gerais de saúde

Além do olho, o corpo inteiro precisa estar bem preparado para a cirurgia. Embora o procedimento utilize anestesia local e sedação leve, a realização do risco cirúrgico é obrigatória.

Isso tem uma explicação direta: a catarata é, em sua maioria, uma condição ligada ao envelhecimento, então o paciente típico já chega à cirurgia com outras questões de saúde para monitorar.

Essa etapa costuma incluir hemograma completo, coagulograma, glicemia (para pacientes diabéticos) e um eletrocardiograma (ECG), avaliados por um cardiologista.

Um levantamento brasileiro que acompanhou 285 pacientes encaminhados para cirurgia de catarata encontrou idade média próxima dos 70 anos e apontou as doenças cardiovasculares como a condição de saúde mais comum entre eles, sendo a hipertensão arterial a mais prevalente de todas.

Esse perfil ajuda a explicar por que o eletrocardiograma segue como item quase obrigatório do risco cirúrgico, mesmo se tratando de um procedimento oftalmológico considerado de baixo risco.

Vale um esclarecimento: diretrizes internacionais de cardiologia já dispensam o ECG pré-operatório para pacientes mais jovens, sem fatores de risco cardiovascular, quando o procedimento também é de baixo risco.

Como a cirurgia de catarata é predominantemente indicada a pacientes acima dos 60 anos, na prática a avaliação cardiológica completa segue sendo a recomendação padrão para a maioria dos casos, e é justamente por isso que o cardiologista tem a palavra final sobre a liberação do paciente para o centro cirúrgico.

Do preparo pré-operatório ao dia da cirurgia

Realizar todos os exames pré-operatórios no mesmo local traz conforto e segurança ao paciente, evitando idas e vindas desnecessárias entre clínicas e laboratórios.

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FAQ: Dúvidas Frequentes sobre preparo para cirurgia

  • Quais exames fazer antes da cirurgia de catarata?

A bateria inclui exames oftalmológicos específicos, como biometria ocular, microscopia especular, topografia de córnea e mapeamento de retina ou ultrassonografia, além de exames sistêmicos (exames de sangue e eletrocardiograma) conhecidos como risco cirúrgico.

  • Por que preciso de risco cirúrgico para operar a catarata?

Embora a cirurgia de catarata seja rápida e minimamente invasiva, ela envolve o uso de sedação e anestesia. O risco cirúrgico garante que o coração e o sistema sanguíneo do paciente estão saudáveis o suficiente para passar pelo procedimento sem intercorrências.

  • Qual a importância da biometria na cirurgia de catarata?

A biometria é o exame responsável por calcular, com precisão matemática, o grau da lente intraocular que substituirá a catarata. Um exame biométrico bem feito aumenta significativamente as chances de o paciente conquistar a independência dos óculos após a cirurgia.

Foto de Dr. Ricardo Filippo
Dr. Ricardo Filippo
Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Durante sua vida acadêmica, participou de dezenas de congressos e simpósios, no Brasil e no exterior, e ministrou diversas aulas sobre Oftalmologia. Dr. Ricardo Filippo é especialista em oftalmologia e produz conteúdos sobre saúde ocular. CRM: 5281096-7 | RQE: 17512

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