Crosslinking da córnea, porque ele é importante

imagem de paciente sendo operado

O tratamento é menos agressivo que o transplante de córnea e ajuda a diminuir os impactos à visão do paciente.

O crosslinking da córnea é um tratamento cirúrgico utilizado para tratar o ceratocone, que é uma doença caracterizada pela distrofia contínua e progressiva da estrutura da córnea – camada fina e transparente que recobre toda a frente do globo ocular.

O ceratocone afeta a curvatura e espessura da córnea, fazendo com que seu formato se torne semelhante ao de um cone. Ele pode ocorrer em um olho ou em ambos. De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), a cada 100.000 pessoas no mundo, de 4 a 600 delas desenvolvem a doença.

Estima-se que cerca de 21% dos pacientes que sofrem com ceratocone acabam precisando de novas córneas. O objetivo do crosslink, então, é deixar a córnea mais resistente, aumentando sua estabilidade. O procedimento promete evitar ao máximo a necessidade de um transplante.

Entenda mais sobre a técnica e saiba como ela é realizada. Lembrando que é importante incluir a atenção à saúde de seus olhos em sua rotina geral de cuidados e check-up médico periódico.

Quando ele é indicado 

É importante frisar que o crosslinking da córnea não é um tratamento para qualquer caso de ceratocone. Ele é indicado apenas para pacientes cuja espessura corneana seja maior ou igual a 400 micra (para a proteção do endotélio ou face interna da córnea) e que estejam com o ceratocone progredindo (ou seja, piorando).

Também é necessário que a curvatura corneana do paciente seja inferior a 70 dioptrias e que não tenham cicatrizes corneanas centrais.

O tratamento também pode ser realizado em pacientes que já foram submetidos a outras cirurgias na córnea. Mas, ele não pode ter histórico de herpes ocular e, no caso das mulheres, elas não podem estar em fase de gestação. 

Com o crosslinking da córnea não ocorre alteração estética nos olhos do paciente. O tratamento para ceratocone associa a riboflavina – vitamina B2 – à luz ultravioleta, reforçando novas ligações entre as moléculas de colágeno da córnea, enrijecendo-a e estabilizando a doença (ou seja, evitado a progressão ou piora da patologia).

Como o procedimento é realizado 

Você deve estar imaginando como é feito a cirurgia de crosslinking. A cirurgia é realizada dentro de um centro cirúrgico – mas é minimamente invasiva – e pode ser feita apenas com anestesia tópica, usando um colírio anestésico.

  • Duração: o procedimento dura em torno de uma hora e o paciente recebe alta imediatamente, sem necessidade de internação, repouso ou jejum.
  • Descrição: a técnica consiste na aplicação de um colírio especial à base de riboflavina – vitamina B2 -, que é ativado por um feixe de luz ultravioleta. Isso estimula a contração e a união das fibras de colágeno, aumentando a resistência da córnea e reforçando sua estrutura. O último passo é a colocação de uma lente de contato terapêutica. Ela atua como uma espécie de curativo sobre a retina, enquanto o epitélio cicatriza. Esse processo leva em torno de sete dias e, depois desse prazo, a lente deve ser retirada.
  • Pós-operatório: além da lente terapêutica, o paciente vai para casa usando um tampão protetor transparente acrílico. Será necessário usar uma combinação de colírios antibióticos e anti-inflamatórios. Logo depois da cirurgia, é provável que a visão fique um pouco embaçada. No entanto, sua recuperação acontece gradualmente. Também é bastante comum que os pacientes desenvolvam fotofobia. Isso é facilmente contornado com o uso de óculos escuros de boa qualidade. Os retornos médicos são mais frequentes no início do pós-operatório. Depois do primeiro mês, o paciente deve passar em consulta com três, seis e 12 meses após realizada a cirurgia.

imagem de profissionaos realizando uma cirurgia de crosslinking da córnea

Cuidados que devem ser tomados depois da cirurgia 

O crosslink corneano é relativamente simples e não requer resguardo. Até a retirada da lente, os pacientes podem sentir um certo grau de desconforto. A dor ou ardência pode ser controlada com analgésicos comuns.

Lembre-se de fazer o uso correto dos remédios e colírios receitados pelo oftalmologista. Assim, a recuperação se torna mais rápida e tranquila. Recomenda-se evitar exposição à luz solar intensa com uso de óculos escuros durante pelo menos os seis primeiros meses.

  • Fique tranquilo: durante o banho você pode lavar o rosto e deixar a água escorrer no local operado, mas mantendo sempre os olhos fechados. Atividades como: ler, escrever e assistir à televisão não atrapalham na recuperação da cirurgia. 
  • Evite: passar a mão nos olhos, esquecer de usar as medicações, frequentar locais com muita poeira, fazer atividades físicas intensas e entrar na piscina ou mar no primeiro mês após a cirurgia.

Gostou de saber como é feito o crosslinking da córnea? Então, lembre-se de incluir em sua rotina de check-ups médicos anuais a consulta com o oftalmologista. O acompanhamento da saúde de seus olhos pode prevenir o aparecimento de doenças graves.

Ter consciência sobre a importância do cuidado com os olhos e entender como isso pode influenciar em sua qualidade de vida é fundamental. Agende já sua consulta com a Clínica de Oftalmologia Integrada e fique em dia com seus exames de rotina.

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Ricardo Filippo

Ricardo Filippo

Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Durante sua vida acadêmica, participou de dezenas de congressos e simpósios, no Brasil e no exterior, e ministrou diversas aulas sobre Oftalmologia. Para mais informações sobre sua experiência na área, clique aqui.

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