Cirurgia de catarata e glaucoma: o que você precisa saber sobre a relação entre as duas doenças

A imagem mostra uma mulher realizando um exame oftalmológico com um aparelho conhecido como lâmpada de fenda.

Sumário

Se você possui o diagnóstico de catarata e glaucoma, não se preocupe: entenda por que as duas doenças aparecem juntas, quais são as opções cirúrgicas disponíveis e como funciona a recuperação quando ambas precisam ser tratadas.

Quando você começa a buscar informações sobre cirurgia de catarata e glaucoma, é normal que surjam algumas dúvidas importantes: operar a catarata pode ajudar no controle do glaucoma? As duas cirurgias podem ser feitas no mesmo momento? Existe risco de a pressão ocular piorar depois do procedimento?

Essas perguntas fazem sentido porque as duas doenças costumam evoluir simultaneamente e a decisão cirúrgica de uma pode influenciar diretamente o tratamento da outra. 

A boa notícia é que, com as técnicas atuais, você pode planejar abordagens seguras, personalizadas e capazes de oferecer mais conforto visual e melhor controle da pressão intraocular.

Neste artigo, você vai entender como catarata e glaucoma se relacionam, quando a cirurgia de catarata pode beneficiar o glaucoma, em quais casos considerar cirurgias combinadas e o que esperar do pós-operatório.

Catarata e glaucoma: qual é a relação entre as duas doenças?

A cirurgia de catarata e glaucoma costuma ser indicada justamente porque as duas doenças aparecem juntas com frequência. Esse padrão não é coincidência: envolve idade, fatores metabólicos e alterações naturais da anatomia ocular.

Com o passar dos anos, o cristalino vai ficando mais espesso e menos transparente, favorecendo o desenvolvimento da catarata. Esse espessamento, por sua vez, pode estreitar o ângulo por onde o humor aquoso drena e isso influencia diretamente o controle da pressão intraocular, ponto crítico do glaucoma.

Além disso, muitos pacientes só descobrem o glaucoma durante a investigação da própria catarata. Como as duas evoluem de maneira silenciosa, acabam sendo diagnosticadas no mesmo momento.

É essa combinação que explica por que tantos pacientes precisam realizar a cirurgia de catarata e glaucoma ao mesmo tempo.

Fatores de risco comuns

Alguns fatores aumentam a probabilidade de desenvolver as duas doenças:

  • Idade avançada: o principal fator de risco para catarata e glaucoma.
  • Diabetes: acelera a formação da catarata e aumenta o risco de danos ao nervo óptico.
  • Histórico familiar de glaucoma: risco elevado de progressão.
  • Miopia alta: associada a alterações anatômicas do olho.
  • Uso prolongado de corticoides: pode elevar a pressão intraocular.

Por isso, se você apresenta catarata e glaucoma juntos, pode não ser coincidência, mas um padrão clínico relativamente comum, que depende de muitos fatores conjuntos.

Como a catarata interfere no glaucoma (e vice-versa)

Uma catarata mais densa pode dificultar o controle do glaucoma por diferentes motivos. O cristalino espessado ocupa mais espaço dentro do olho e pode estreitar o ângulo de drenagem, facilitando o aumento da pressão intraocular, especialmente em olhos já predispostos.

Outro ponto importante é que a catarata avançada prejudica a visualização do nervo óptico. Isso dificulta a avaliação da progressão do glaucoma, já que parte do exame depende de observar diretamente o fundo de olho.

Por outro lado, o glaucoma também altera a forma como planejamos e conduzimos a cirurgia de catarata. O nervo óptico, mais sensível, deve ser protegido de oscilações bruscas de pressão no pós-operatório.

Isso torna a avaliação integrada essencial.

idoso com catarata ou glacoma

Opções de cirurgia de catarata em pacientes com glaucoma

Quando catarata e glaucoma coexistem, há duas formas principais de conduzir o tratamento:

  1. Realizar uma cirurgia combinada: catarata e glaucoma no mesmo ato cirúrgico.
  2. Realizar cirurgias separadas: com meses de intervalo.

A escolha depende de fatores como estágio do glaucoma, pressão intraocular, quantidade de colírios usados e tipo de catarata.

A seguir, explicamos as duas abordagens da cirurgia de catarata e glaucoma.

Cirurgia combinada (facoemulsificação + procedimento antiglaucomatoso)

A cirurgia combinada é a realização da cirurgia de catarata (facoemulsificação) junto com algum procedimento para tratar o glaucoma, como trabeculectomia, implantes de drenagem ou técnicas MIGS.

Como funciona: O oftalmologista remove a catarata e, na mesma cirurgia, cria uma nova via de drenagem ou implanta um dispositivo para reduzir a pressão intraocular.

Vantagens da cirurgia combinada:

  • Apenas uma recuperação pós-operatória.
  • Menos idas ao centro cirúrgico.
  • Maior chance de estabilizar a pressão intraocular.
  • Possibilidade de reduzir ou até eliminar o uso de colírios em alguns casos.

Essa abordagem costuma ser recomendada quando o glaucoma está descontrolado, quando há progressão mesmo com medicação ou quando o paciente já usa muitos colírios.

Muita gente não sabe, mas a cirurgia de catarata, especialmente pela técnica de facoemulsificação, pode reduzir a pressão intraocular em boa parte dos pacientes com glaucoma de ângulo aberto.

Essa redução não acontece em todos os casos, e a intensidade varia, mas existe evidência consistente mostrando que retirar o cristalino espessado pode melhorar a drenagem interna do olho.

Por outro lado, é importante lembrar que a PIO pode subir nas primeiras horas ou dias após a cirurgia, principalmente em pacientes que já têm glaucoma. Por isso, o acompanhamento pós-operatório precisa ser rigoroso.

Cirurgia sequencial (tratamento em etapas)

Na cirurgia sequencial, uma das doenças é tratada primeiro, e a outra é tratada meses depois.

Quando indicamos esse caminho:

  • Quando o glaucoma está estável e controlado com medicação.
  • Quando a catarata ainda não é a principal causa da baixa visual.
  • Quando o paciente tem características anatômicas que exigem mais cautela.
  • Quando há dúvidas sobre o impacto da primeira cirurgia na pressão ocular.

Desvantagens:

  • Duas recuperações.
  • Dois períodos de oscilação de pressão intraocular.
  • Maior tempo total até estabilizar a visão e a pressão.

Ainda assim, para alguns pacientes, essa é a opção mais segura.

Procedimentos antiglaucomatosos modernos (MIGS)

As técnicas MIGS (Minimally Invasive Glaucoma Surgery) representam um avanço importante para quem precisa de cirurgia de catarata e glaucoma ao mesmo tempo. Elas são menos invasivas, preservam mais tecidos e têm uma recuperação mais tranquila.

Diferente das cirurgias filtrantes tradicionais, como a trabeculectomia, as MIGS atuam melhorando a drenagem natural do olho, com cortes mínimos e baixo risco.

O papel da MIGS na cirurgia combinada

Quando a MIGS é realizada junto com a cirurgia de catarata, o objetivo é reduzir a pressão ocular com segurança e diminuir a dependência de colírios.

Por que isso é possível?

  • A facoemulsificação abre mais espaço dentro do olho.
  • A MIGS melhora a saída do humor aquoso.
  • As duas técnicas se complementam.

O resultado é um ganho duplo: melhor visão e melhor controle da pressão.

Para quais pacientes a MIGS é mais indicada?

  • Glaucoma leve a moderado.
  • Pacientes que usam 1 a 3 colírios.
  • Pacientes sensíveis ou intolerantes aos colírios.
  • Olhos com anatomia favorável ao implante.
  • Pessoas que desejam reduzir a carga medicamentosa.

Por que a MIGS é tão Vantajosa?

  • Menos Invasiva: Por ser uma técnica minimamente invasiva, o procedimento é mais rápido e o olho se recupera mais facilmente, reduzindo o risco de complicações pós-operatórias em comparação com a cirurgia tradicional de glaucoma (Trabeculectomia).
  • A Lente Intraocular (LIO): Não se preocupe, mesmo fazendo a cirurgia combinada, o Implante de Lente Intraocular (LIO) para corrigir a catarata é feito normalmente. Seu oftalmologista vai escolher a lente ideal para o seu caso, que garanta a melhor visão sem prejudicar o controle do glaucoma.

Para glaucomas avançados, geralmente preferimos técnicas mais tradicionais, que alcançam pressões mais baixas.

Cirurgia de glaucoma ou catarata

Riscos e complicações: o que você precisa saber

Para quem tem glaucoma, a cirurgia de catarata exige cuidados específicos. Entre as principais considerações estão:

  • risco de aumento temporário da pressão nas primeiras horas;
  • maior sensibilidade do nervo óptico;
  • possibilidade de inflamação mais intensa;
  • necessidade de ajustes nos colírios após a cirurgia.

Com planejamento adequado, a maioria das complicações é manejável.

O que muda no pós-operatório: medicações e acompanhamento

O acompanhamento após a cirurgia de catarata e glaucoma tende a ser mais frequente. Isso inclui:

  • medição regular da pressão intraocular;
  • ajustes no uso de colírios;
  • controle da inflamação;
  • avaliação da cicatrização da incisão e da estabilidade da PIO.

Em muitos casos, especialmente quando há cirurgia combinada, é possível observar redução no número de colírios, mas isso depende da resposta de cada paciente.

Perguntas que você pode levar para a consulta

Para tornar a decisão mais clara, vale levar estas perguntas:

  • A cirurgia de catarata ajuda no controle do meu glaucoma?
  • Sou candidato(a) a cirurgia combinada?
  • Qual é a minha meta de pressão ocular?
  • Quantos colírios posso reduzir depois da cirurgia?
  • Como será feito o acompanhamento no primeiro mês?

Esse roteiro ajuda a deixar a consulta mais objetiva.

O que esperar do pós-operatório e recuperação?

O pós-operatório da cirurgia de catarata e glaucoma é um pouco mais cuidadoso do que o de uma cirurgia de catarata isolada. Isso porque a pressão intraocular precisa ser monitorada de perto, especialmente nas primeiras 48 horas.

Cuidados específicos após a cirurgia combinada

É possível que haja a indicação de:

  • Uso de colírios anti-inflamatórios e antibióticos.
  • Avaliações mais frequentes da pressão ocular.
  • Cuidados com a proteção ocular nas primeiras semanas.
  • Orientações sobre esforço físico e prevenção de traumas.

A recuperação visual costuma ser gradual. A sensação de visão mais limpa surge nos primeiros dias, mas a estabilização completa leva algumas semanas.

Monitoramento da pressão intraocular no longo prazo

Mesmo após uma cirurgia de catarata e glaucoma bem-sucedida, o acompanhamento permanece essencial. O glaucoma é uma condição crônica, e a pressão precisa continuar dentro da meta segura para evitar danos ao nervo óptico.

Por isso, é possível que você tenha que:

  • realizar consultas regulares;
  • fazer exames de campo visual;
  • OCT do nervo óptico;
  • realizar ajustes pontuais de colírios, se necessário.

O objetivo é que o olho permaneça estável por muitos anos, com boa visão e pressão controlada.

Conclusão

Catarata e glaucoma são condições frequentes, mas quando acontecem juntas, exigem um olhar integrado. A cirurgia de catarata e glaucoma pode ser combinada ou sequencial, e existem técnicas modernas, que tornam o processo mais seguro e eficaz.

O mais importante é que a decisão seja individualizada. Cada paciente tem uma anatomia, um grau de glaucoma e uma expectativa visual diferente.

Se você está passando por esse momento, conversar com um especialista é o primeiro passo para encontrar a melhor abordagem para o seu caso.

A COI Oftalmologia é referência em cirurgias combinadas e tratamentos avançados para glaucoma. Não adie a chance de ter uma visão mais clara e controlada.

Se você quer entender qual abordagem é mais segura para o seu caso, fale com nossos especialistas hoje mesmo e agende sua avaliação completa.

Sua visão merece o cuidado de quem é especialista.

Foto de Dr. Ricardo Filippo

Dr. Ricardo Filippo

Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Durante sua vida acadêmica, participou de dezenas de congressos e simpósios, no Brasil e no exterior, e ministrou diversas aulas sobre Oftalmologia. Dr. Ricardo Filippo é especialista em oftalmologia e produz conteúdos sobre saúde ocular.