Distrofia de fuchs: entenda o que é e como é o tratamento!

distrofia de cornea fuchs

A Distrofia de Funchs, conhecida também de distrofia endotelial de Funchs, ou córnea Guttata, ou distrofia endotelial da córnea, trata-se de uma doença lenta e progressiva que afeta a córnea, deste modo faz com que as células da porção mais interna da córnea, o endotélio, morram. Células estas que são responsáveis por regular a quantidade de fluído no órgão com intuito de o manter limpo.

Dentre as várias doenças genéticas, a distrofia de Fuchs é ainda pouco conhecida e pode trazer complicações graves quando não diagnosticada. Uma vez descoberta, entretanto, é possível melhorar a qualidade de vida do portador e manejar melhor a acuidade visual.

Embora não haja cura, hoje temos a possibilidade de usar pomadas e colírios que amenizam os sintomas e trazem maior conforto ao paciente. Para casos mais graves, o transplante de córnea também é uma opção.

Devido à pouca disseminação de informações sobre a distrofia de Fuchs, é primordial que estejamos atentos à suas causas, sintomas e as possibilidades de tratamento. Manter-se sempre alerta é a chave para o diagnóstico precoce e para um tratamento mais eficaz.

Pensando nisso, a Clínica de Oftalmologia Integrada elencou as principais características dessa doença, especialmente para você. Vamos conferir?

 

O que é a distrofia de Fuchs

Nosso olho é composto por várias camadas que desempenham papéis únicos no complexo mecanismo da visão.

A córnea funciona como a lente mais importante e externa do olho, e cada uma de suas camadas pode ser afetada por uma doença genética diferente.

A distrofia de Fuchs (também chamada de distrofia endotelial da córnea ou distrofia endotelial de Fuchs) afeta o endotélio, porção mais interna da córnea, responsável por regular a quantidade de água no órgão.

Trata-se de uma doença progressiva. Portanto, mesmo sendo genética, ela geralmente se apresenta em pacientes idosos. Os primeiros sinais surgem em pacientes com 30 a 40 anos de idade, sendo que a perda de visão somente é notada quando os portadores da doença atingem de 50 a 60 anos. Além disso, o sexo feminino é acometido mais do que o sexo masculino.

 

Progressão da doença

Por ser uma doença genética, a doença de Fuchs está presente em seus portadores desde que nascem, sendo passada de pais para filhos.

É considerada uma doença autossômica dominante, o que significa que, mesmo se nenhum dos progenitores tenha a doença, seus filhos têm 50% de chance de a terem, caso os pais sejam portadores do gene responsável pela distrofia.

A doença acomete uma fina camada dos olhos chamada membrana de Descemet, causando morte nas células e prejudicando a absorção do líquido em excesso na córnea.

Ocorre, então, acúmulo de água nesta camada, deixando-a inchada e opacificada, prejudicando a visão. Geralmente ambos os olhos são afetados, acometendo a visão como um todo.

Devido ao acúmulo de líquido na córnea durante o sono, a opacificação visual é maior ao acordar, podendo o doente queixar-se de piora na qualidade visual pela manhã. Durante o dia, o líquido evapora no filme lacrimal e a visão melhora gradativamente.

Com a progressão da doença, a melhora diurna na acuidade visual demora cada vez mais, piorando o embaçamento durante todo o dia.

 

Sintomas da distrofia de Fuchs

Por tratar-se de uma doença progressiva, os sintomas surgem pouco a pouco, de modo que, inicialmente, o paciente não possui muitas queixas; início abrupto de sintomas sugere outra doença senão a distrofia de Fuchs. Dentre os principais sintomas que acometem os pacientes, estão:

  • dor nos olhos;
  • visão turva que piora no período da manhã;
  • visão com halos coloridos ao redor das luzes;
  • sensibilidade dos olhos à luz;
  • distorção das imagens.

Com a progressão da doença, os sintomas pioram e o edema na córnea pode causar pequenas nodulações em sua superfície, compondo uma condição chamada ceratopatia bolhosa.

Neste estágio avançado, o paciente se apresenta com muito desconforto visual e dor intensa. Mesmo que o diagnóstico se torne mais explícito em uma fase tão crítica da doença, seu tratamento é mais complexo e ele deve, portanto, ser evitado ao máximo.

 

Diagnóstico

Muitas vezes o diagnóstico é feito acidentalmente quando o paciente vai ao oftalmologista por outros motivos, como a necessidade do uso de óculos.

Como a distrofia de Fuchs está relacionada a fragilidade do endotélio da córnea, ela é uma condição que precisa ser investigada antes de cirurgias oftalmológicas, como a catarata.

Caso o paciente possua algum membro da família com a doença, o acompanhamento oftalmológico ganha ainda mais importância para o rastreio da condição. Do mesmo modo, pacientes com mais de 50 anos com qualquer um dos sintomas listados deve procurar o mais rápido possível um oftalmologista para investigar as causas prováveis. Dentre os exames solicitados para a distrofia de Fuchs estão:

  • microscopia especular de córnea (visualização das membranas da córnea);
  • paquimetria (mensuração da espessura da córnea);
  • teste de acuidade visual (avaliação visual).

Tratamento

Ainda não há cura para a distrofia de Fuchs. O tratamento inicial é sintomático, visando trazer um maior conforto ao paciente.

O oftalmologista pode fazer uso de colírios e pomadas para suavizar a dor, assim como de lentes de contato gelatinosas em casos de úlceras na córnea. O tratamento é individualizado, sendo imprescindível a consulta com um oftalmologista para indicar a melhor conduta.

 

Transplante

Nos últimos anos, o transplante de córnea vem tomando um importante espaço no manejo da distrofia de Fuchs. Para a sua indicação, o médico levará em conta o prejuízo funcional que a diminuição da acuidade visual leva ao paciente, a contagem de endotélios e a espessura da córnea.

É considerado que o transplante de córnea possui maior sucesso entre os transplantes realizados na medicina.

Contudo, é também importante mencionar que o corpo humano não funciona como uma máquina, onde se pode trocar peças livremente sem trazer maiores prejuízos. Qualquer tipo de transplante pode trazer complicações severas, como rejeição e infecções.

Com ciência desta possibilidade de complicações, criou-se novas técnicas de transplante que são menos invasivas e trazem mais rapidez na recuperação e menor chance de rejeição.

Para casos avançados, entretanto, o transplante penetrante ainda é a melhor opção, devido à possibilidade de já haver cicatrizes que não são corrigidas pelas técnicas pouco invasivas de transplante.

Como observado, a distrofia de Fuchs é uma doença genética que atinge principalmente pessoas na terceira idade. Embora seja uma condição que gere prejuízos graves aos seus portadores, uma vez diagnosticada é possível lançar mão de tratamentos que melhoraram a qualidade de vida do paciente. Portanto, ao menor sinal de irregularidades na visão, procure o oftalmologista para avaliação, diagnóstico e escolha do melhor tratamento.


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Guilherme Quinellato

Guilherme Quinellato

Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Durante sua vida acadêmica, participou de dezenas de congressos e simpósios, no Brasil e no exterior, e ministrou diversas aulas sobre Oftalmologia. Para mais informações sobre sua experiência na área, clique aqui.
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