Tipos de estrabismo: quais são e como tratar?

Detalhe de olhos com estrabismo.

Saiba como identificar a doença e como funciona o tratamento

O estrabismo  deixa os olhos desalinhados. Para fazer o tratamento correto, é importante conhecer os sintomas, as causas e buscar atendimento médico especializado e entender qual é o tipo de estrabismo que existe. 

O estrabismo é um distúrbio no qual os olhos não olham na mesma direção. A condição tem tratamento, mas o diagnóstico precoce é essencial para obter bons resultados e conseguir a reabilitação visual, além de reconquistar a saúde ocular. Mas você sabia que existem vários tipos de estrabismo?

De acordo com o Conselho Brasileiro de Estrabismo, o estrabismo  pode se apresentar desde o nascimento, por herança genética. No entanto, também pode ser adquirido ao longo da vida por conta de doenças como diabetes e distúrbios neurológicos.

Leia também: Como a diabetes pode afetar a visão?

Problemas de visão, como a hipermetropia em graus elevados, além de traumatismo na cabeça, ocorrido em acidente, também podem desencadear essa condição.

A partir de agora, entenda melhor quais são os tipos de estrabismo, o que é a condição, quais são suas causas e como funciona o tratamento.

O que é estrabismo?

É uma doença na qual os olhos perdem o seu alinhamento correto, segundo o Conselho Brasileiro de Estrabismo. Em outras palavras, trata-se de um desequilíbrio na função dos músculos oculares, que causa um desalinhamento e falta de paralelismo.

As causas podem incluir lesão do nervo ou disfunção dos músculos que controlam o olho.

Geralmente, é possível corrigir o estrabismo ainda no estágio inicial. O uso de óculos especiais e tapa-olho costumam gerar bons resultados.  Em alguns casos, é necessário recorrer à cirurgia para estrabismo.

Mas há vários tipos de estrabismo. Conheça sobre cada um deles:

 Quais os tipos de estrabismo?

 Estrabismo vertical ou hipertropia: o olho é voltado para cima (para a testa) ou para baixo (para o lado das bochechas).

Estrabismo convergente ou esotropia: o olho é voltado para dentro (para o lado do nariz).

Estrabismo acomodativo ou esotropia acomodativa: é causado pelo excesso de convergência dos olhos, sobretudo quando o paciente força a visão para perto. Uma das causas é a hipermetropia elevada.

Leia também: Quais as diferenças entre miopia, hipermetropia e astigmatismo?

Estrabismo divergente ou exotropia: o olho é voltado para fora (para o lado da orelha).

Estrabismo intermitente: há momentos em que um olho se desvia para o fora e outros em que os olhos estão alinhados. O desvio é mais perceptível quando o paciente está cansado ou mirando em objetos distantes. Isso pode ser passageiro ou se tornar progressivo. 

  Estrabismo alternante: acontece nos dois olhos, alternadamente.

 Estrabismo paralítico: caracterizado pela fraqueza de um ou mais músculos oculares inervados pelos nervos cranianos afetados, que resulta em um desvio que pode necessitar de tratamento clínico, cirúrgico ou apresentar regressão espontânea.

Estrabismo infantil

É caracterizado pelo desalinhamento dos olhos. Ele pode causar visão dupla e dificuldade para enxergar. Também pode interferir no desenvolvimento cognitivo e na qualidade de vida. 

Além disso, costuma prejudicar a aparência e a autoestima dos pequenos. Segundo o médico francês Marc Timsit, a condição afeta cerca de 5% das crianças. Em 80% dos casos, o estrabismo infantil começa antes dos 2 anos de idade.

Pseudoestrabismo

É uma falsa aparência de estrabismo provocada por ilusão de ótica. Nesse caso, o epicanto, dobra de pele localizada no canto interior das pálpebras,em bebês, pode ter um tamanho maior do que o esperado. 

Essa condição pode gerar uma falsa aparência de desvio ocular. Isso acontece porque a superfície branca do olho próxima ao nariz é reduzida, o que gera a sensação de estrabismo quando o bebê olha para o lado. 

Durante o crescimento do rosto,  essa condição é corrigida naturalmente. 

Quais os sintomas do estrabismo?

Os sintomas do estrabismo variam com a idade  e com a categoria do distúrbio. No entanto, é comum que os portadores se queixem de dor de cabeça e torcicolo, por conta do esforço que a pessoa pode fazer para enxergar com mais facilidade.

O que causa o estrabismo?

Segundo a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP), o distúrbio resulta de uma anormalidade do controle neuromuscular que inclui, não somente os olhos, mas também o cérebro, que dita os comandos para a  movimentação ocular. 

Em crianças maiores e em adultos, outras causas comuns são: disfunções vasculares (aneurisma ou derrame), doenças neurológicas e disfunção da tireoide.

Além disso, o estrabismo pode ser consequência de traumas, sobretudo os que provocam algum tipo de dano no cérebro e, consequentemente, interferem no funcionamento de nervos e músculos responsáveis pela movimentação dos olhos. 

Quais são os tratamentos para o estrabismo?

O objetivo do tratamento, de acordo com a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica, é melhorar o alinhamento dos olhos, permitindo que eles “trabalhem” melhor juntos.

O tratamento para estrabismo pode incluir óculos, exercícios oculares, prisma e cirurgia. Outra maneira de corrigir o problema ocular e melhorar a saúde dos olhos é a aplicação de toxina botulínica (Botox). É indicada para alguns quadros específicos da condição, como aqueles por paralisia muscular.

Leia também: Como cuidar dos olhos, 07 dicas para manter a saúde ocular em dias

Quanto mais cedo o estrabismo for diagnosticado, melhores serão as possibilidades de tratamento. Em crianças, pode ser que o uso de óculos de grau para corrigir a hipermetropia, associado ao tapa-olho, seja o ideal.

Sem o tratamento adequado, sintomas como a dificuldade para enxergar corretamente são permanentes. Além disso, pode causar baixa qualidade de visão e até fazer com que a pessoa perca a visão do olho afetado.

Cirurgia para estrabismo

A cirurgia para corrigir o distúrbio envolve o reposicionamento ou encurtamento da musculatura extraocular, fazendo com que os olhos se movimentam em sincronia. Existe uma nova técnica chamada cirurgia de estrabismo minimamente invasiva (via fórnice), que corrige com mínimas incisões e torna o pós-operatório mais confortável.

No entanto, a intervenção cirúrgica só é recomendada quando o desvio permanece mesmo depois de todas as possibilidades de tratamento para estrabismo. Dependendo de cada paciente e do grau de estrabismo, o oftalmologista pode recomendar a cirurgia nos dois olhos. 

Para isso, é necessário se consultar com um médico oftalmologista especialista no distúrbio. Ele vai avaliar o caso e o grau de complexidade da cirurgia.

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Ricardo Filippo

Ricardo Filippo

Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Durante sua vida acadêmica, participou de dezenas de congressos e simpósios, no Brasil e no exterior, e ministrou diversas aulas sobre Oftalmologia. Para mais informações sobre sua experiência na área, clique aqui.
paciente realizando exame de vista - capa do conteúdo de retinopexia pneumática

O que é a Retinopexia Pneumática?

A cirurgia baseia-se em uma técnica minimamente invasiva, de rápida recuperação, e é uma alternativa comum para o tratamento do descolamento de retina regmatogênico. A

Comentários