Pós-operatório da cirurgia de catarata: guia completo de cuidados e recuperação visual

A imagem é uma representação de um exame oftalmológico, especificamente o uso de uma Lâmpada de

Sumário

A cirurgia de catarata é um procedimento seguro, mas existem riscos e possíveis complicações quando os cuidados no pós-operatório não são seguidos corretamente

A cirurgia de catarata é um dos procedimentos oftalmológicos mais realizados no mundo. Ela remove o cristalino opaco, responsável pela visão embaçada, e o substitui por uma lente intraocular, devolvendo nitidez e qualidade visual ao paciente.

Mesmo sendo um procedimento seguro, com até 95% de eficácia, o sucesso depende também dos cuidados no pós-operatório. A atenção nessa fase é essencial para evitar complicações.

Neste guia, você vai entender por que o pós-operatório é uma etapa decisiva, quais cuidados devem ser seguidos e o que pode acontecer se houver descuido.

A importância do pós-operatório na cirurgia de catarata

O período pós-operatório é crucial para que o olho cicatrize corretamente e se adapte à nova lente. Seguir as orientações médicas, usar os colírios indicados e comparecer às consultas de acompanhamento ajuda a prevenir infecções e inflamações.

Quando essas recomendações são ignoradas, o risco de complicações aumenta. Falta de higiene, uso incorreto dos medicamentos e esforço físico precoce podem comprometer a visão e atrasar a recuperação da cirurgia de catarata.

Se os cuidados não forem realizados corretamente, podem surgir complicações como:

  • Infecção ocular (endoftalmite): uma das complicações mais graves e raras, podendo causar dor intensa, vermelhidão, inchaço e até perda permanente da visão se não tratada rapidamente.
  • Edema macular cistoide: acúmulo de líquido na mácula, região responsável pela visão central detalhada, levando a embaçamento, distorção visual e desconforto constante.
  • Aumento da pressão intraocular (glaucoma secundário): elevação da pressão dentro do olho, temporária ou crônica, capaz de causar dor, desconforto e danos ao nervo óptico ao longo do tempo.
  • Descolamento de retina: ocorre quando a retina se desprende da posição normal, provocando flashes de luz, moscas-volantes e uma sombra escura ou cortina na visão.
  • Visão embaçada ou distorcida persistente: se a nitidez não melhora gradualmente, pode indicar inflamação, edema ou outra complicação que requer avaliação médica imediata.

Seguir corretamente o pós-operatório é tão importante quanto a própria cirurgia. Os cuidados adequados reduzem o risco de complicações e preservam os resultados conquistados com o procedimento.

Saiba mais: Quanto tempo demora uma cirurgia de catarata e o que esperar do procedimento?

Cuidados imediatos

Os primeiros dias após a cirurgia de catarata exigem atenção especial. É nesse período que o olho inicia o processo de cicatrização e se adapta à nova lente intraocular.

Logo após o procedimento, o paciente costuma sair do hospital com um protetor ocular, como uma concha de plástico transparente ou curativo. Esse acessório evita toques acidentais, protege contra sujeira e impede que o olho seja pressionado durante o sono.

O primeiro dia é o mais sensível, e o ideal é manter repouso. A recuperação costuma ser tranquila, mas exige disciplina e cuidados com a higiene e o uso correto dos colírios após a cirurgia de catarata indicados pelo oftalmologista.

  • Evite coçar ou esfregar o olho: isso pode deslocar a lente intraocular, abrir pontos da incisão ou causar infecção. Se houver coceira ou incômodo, use o colírio lubrificante prescrito e nunca toque diretamente nos olhos.
  • Use os colírios conforme a prescrição médica: o oftalmologista indicará antibióticos e anti-inflamatórios. Respeite horários, quantidade de gotas e duração do tratamento.
  • Evite ambientes sujos e com poluição: nas primeiras semanas, mantenha distância de poeira, fumaça, produtos químicos ou poluição, que podem irritar o olho e aumentar o risco de contaminação.
  • Evite esforços físicos e movimentos bruscos: levantar peso, abaixar-se ou fazer exercícios intensos pode elevar a pressão intraocular e prejudicar a cicatrização.
  • Durma com o protetor ocular: durante a primeira semana, a concha protetora impede que o olho seja pressionado acidentalmente durante o sono.

Esses cuidados imediatos formam a base do sucesso pós-operatório, protegendo o olho na fase mais delicada e garantindo os resultados da cirurgia.

Cuidados nas semanas seguintes à cirurgia de catarata

Com o passar das semanas, os cuidados se tornam menos restritivos. O olho já está mais estável, mas continua sensível a infecções, impactos e variações na pressão ocular.

Seguir as orientações médicas é essencial para consolidar os resultados da cirurgia e evitar contratempos.

  • Evite a entrada de água no olho: durante o banho, cuidado para que água, sabão ou shampoo não entrem em contato com o olho operado, pois podem causar irritação e aumentar o risco de infecção.
  • Use óculos de sol sempre que necessário: se houver sensibilidade à luz, utilize óculos escuros com proteção UV, que reduzem desconforto e protegem contra poeira e pequenos detritos.
  • Retome atividades de forma gradual: tarefas leves, como ler, assistir televisão ou usar o celular, podem ser retomadas aos poucos. Faça pausas para descansar a vista e evite esforço prolongado. Exercícios leves devem ser liberados apenas com autorização médica.
  • Dirija somente com liberação médica: o retorno ao volante deve ocorrer quando o médico confirmar que a visão está estável. Dirigir com visão desfocada ou desconforto pode comprometer a segurança e atrasar a recuperação.
  • Siga o calendário de consultas: o acompanhamento é fundamental. O oftalmologista avalia a cicatrização, monitora a pressão intraocular e ajusta os colírios conforme a evolução.

Seguindo essas orientações, o processo de cicatrização tende a ocorrer de forma tranquila e completa, garantindo uma recuperação estável e preservando a saúde ocular por mais tempo.

O que esperar na recuperação

A recuperação após a cirurgia de catarata costuma ser rápida e tranquila. Nos primeiros dias, as alterações são comuns e fazem parte do processo de cicatrização. Com o tempo, a visão se estabiliza e os sintomas desaparecem gradualmente.

  • Melhora progressiva da visão: é normal que a visão fique embaçada logo após a cirurgia. Com os dias, ela melhora de forma contínua, e a nitidez costuma ser perceptível nas primeiras semanas.
  • Sensação de areia ou leve coceira: o olho pode apresentar sensação de corpo estranho no início. Esse desconforto é passageiro. Evite coçar e use o colírio indicado pelo médico.
  • Visão de halos ou clarões ao redor da luz: alguns pacientes percebem anéis luminosos ou clarões ao olhar para fontes de luz. Esse sintoma é temporário e ocorre durante o ajuste da lente intraocular.

Cada fase da recuperação contribui para uma adaptação segura e para que o paciente desfrute plenamente dos benefícios da cirurgia.

Quando procurar o médico imediatamente

É fundamental ficar atento a sinais que podem indicar complicações. Alguns sintomas exigem avaliação imediata para prevenir problemas graves e preservar a visão:

  • Dor intensa e persistente: desconforto forte que não melhora com repouso ou colírios.
  • Piora da visão: qualquer redução súbita ou progressiva da visão.
  • Aumento da vermelhidão no olho: olho muito vermelho ou inflamado.
  • Flashes de luz ou moscas volantes em grande quantidade: percepção súbita de pontos escuros ou luzes.
  • Secreção amarelada no olho: presença de pus ou secreção sugere infecção.

Agir rapidamente é essencial para garantir a segurança e a recuperação adequada após a cirurgia.

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Tipos de colírios mais comuns no pós-operatório

O uso de colírios, incluindo antibióticos e anti-inflamatórios, contribui para uma recuperação adequada, ajudando a controlar a inflamação, reduzir o risco de infecção e promover a cicatrização correta do olho.

  • Antibióticos: previnem infecções pós-cirúrgicas, mesmo em procedimentos de baixa invasão. Uso regular, geralmente de uma a duas semanas, é essencial. Exemplos: moxifloxacino (foto), ofloxacino, entre outros prescritos pelo médico.
  • Anti-inflamatórios: controlam a inflamação, reduzem inchaço e aliviam desconforto, divididos em dois tipos:
    • Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): reduzem inflamação sem corticoides; indicados para inchaço e desconforto leves a moderados. Exemplos: cetorolaco (foto), nepafenaco.
  • Corticoides: mais potentes, ajudam a reduzir inflamações intensas ou risco maior de edema. Exemplos: acetato de prednisolona (foto), dexametasona e outros prescritos pelo médico.

Vale ressaltar que o uso dos colírios sozinho não garante eficácia completa. Seguir corretamente as orientações médicas quanto a tipo, frequência e duração é essencial para evitar complicações e garantir uma boa recuperação.Se você ainda tem dúvidas ou deseja orientação especializada sobre a cirurgia de catarata, entre em contato com a equipe da Clínica Oftalmológica Integrada. Agende sua avaliação e receba atendimento personalizado para cuidar da sua visão com segurança.

Foto de Dr. Ricardo Filippo

Dr. Ricardo Filippo

Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Durante sua vida acadêmica, participou de dezenas de congressos e simpósios, no Brasil e no exterior, e ministrou diversas aulas sobre Oftalmologia. Dr. Ricardo Filippo é especialista em oftalmologia e produz conteúdos sobre saúde ocular.