Como lavar os olhos: dicas para cuidar bem da sua visão

Mulher lavando os olhos em uma pia com água limpa

Realizar frequentemente uma boa higiene ocular pode evitar problemas nos olhos, como o terçol, o olho seco, a blefarite e as alergias.

Com a correria do dia a dia, muitas vezes não percebemos e acabamos colocando a mão nos olhos sem higienizá-las anteriormente. Essa prática, muitas vezes, pode aumentar o risco de problemas na vista e deve ser evitada.

Apesar de ser consenso que não se deve colocar a mão suja no olho, muita gente não sabe como lavar os olhos, irritados ou não. Assim como a higiene bucal ou do corpo, esse processo deve ser repetido diariamente e corretamente.

Entretanto, há produtos específicos para a limpeza de cada região dos olhos. Caso as substâncias não sejam usadas de forma apropriada, o resultado pode ser inverso e a saúde ocular pode ser ainda mais prejudicada.

Neste texto, reunimos informações de quais produtos você deve usar para cada indicação, esclarecemos alguns mitos em torno da higiene ocular e ressaltamos a sua importância, para você não se esquecer de como limpar o olho corretamente nunca mais.

Veja mais: Mitos e verdade sobre a saúde dos olhos

Água sim, mas só na parte de fora

Muitas pessoas não realizam a higienização das pálpebras, o que pode ocasionar o entupimento das glândulas lacrimais por partículas como as da maquiagem. Quando não sabemos como lavar os olhos em sua região externa, aumentamos o risco de infecções.

Para esse processo de limpeza externa, a água geralmente é o mais indicado. A lavagem interna com água é indicada somente em caso de exposição a agentes tóxicos, como desinfetante ou tinta. Nesses casos, procure um médico logo em seguida.

É importante ressaltar que, segundo as recomendações de especialistas, o ideal durante as higienizações – principalmente a interna – é que a água seja mineral, filtrada ou fervida, apesar de ser comumente usada a da torneira.

Soluções de limpeza ocular e xampu neutro também

É imprescindível realizar a higienização externa dos olhos para remover a oleosidade em excesso do local, que pode levar à inflamação e ao aumento de bactérias na região, causando alterações como o terçol e a ceratoconjuntivite sicca (olho seco).

Ao lavar cílios e pálpebras, recomenda-se apenas o uso de soluções próprias para a limpeza ocular, ou xampu neutro ou infantil, pois esses produtos são menos agressivos. Nunca use vinagre ou limão, pois ambos são ácidos e podem fazer mal aos olhos.

Evite água boricada

Apesar de ser muito enraizada a ideia de que água boricada é recomendada para a limpeza dos olhos, ela não deve ser usada. Essa substância contém ácido bórico em sua composição e pode causar queimaduras ou alergias.

É comum o uso de água boricada para o tratamento de conjuntivite, mas a sugestão dos médicos é que ela seja evitada. Ela também pode ser contaminada por micro-organismos prejudiciais à saúde, pois não se trata de uma substância estéril.

Secreções em excesso

Se você produz aquela secreção branca ou amarelada nos cantos dos olhos em excesso (a famosa remela), é provável que seja necessária uma higienização mais frequente e correta dos olhos, principalmente antes de dormir e ao acordar.

Para lavar o olho com muitas secreções, molhe uma gaze com soro fisiológico armazenado previamente em geladeira e passe no sentido do canto do olho para fora. Não se esqueça de usar uma gaze para cada olho, para evitar contaminações.

O mesmo processo deve ser realizado após uma cirurgia ocular. Alguns médicos recomendam o uso de xampu neutro depois da operação de catarata, mas há profissionais que julgam não haver necessidade.

Cuidado com o soro fisiológico

O soro fisiológico pode se parecer mais com a lágrima e causar uma impressão de que não tem problema aplicá-lo nos olhos, mas ele pode ser danoso à mucosa ocular e à córnea.

Além disso, depois de aberto, o frasco de soro é facilmente contaminável, o que pode favorecer a multiplicação de micro-organismos. Um deles é a Acanthamoeba, também encontrada na água da torneira.

Trata-se de um dos protozoários mais comuns encontrados em todos os ambientes, que pode causar inflamações como a ceratite, que aflige a córnea e pode causar problemas de visão.

O soro também não deve ser usado para higienizar lentes de contato. Recomenda-se o uso de soluções específicas para esse propósito; aquelas que contêm agentes antibacterianos na fórmula.

Leia agora sobre os 7 hábitos que fazem mal à vista e que você deve evitar

Colírios e suas indicações

Há quem encare colírio como todos iguais e use apenas um tipo para todos os propósitos, sejam eles limpar, lubrificar, ajudar no tratamento de infecções, vermelhidão ou ardor.

Entretanto, em casos nos quais a pessoa fica muito exposta a ambientes muito secos e precisa de lubrificação ocular, são recomendadas as chamadas lágrimas artificiais, isto é, os colírios hidratantes.

Mesmo assim, usá-los sem necessidade pode tornar os olhos viciados, causando a necessidade do uso de substâncias ainda mais fortes com o passar do tempo.

O mesmo pode acontecer com os colírios vasoconstritores, aqueles que clareiam os olhos. Se usados em frequência demasiada, podem esconder doenças mais sérias que têm como sintomas a vermelhidão ou as veias dilatadas nos olhos.

Além desses dois tipos mais comuns comercializados sem a necessidade de prescrição médica nas farmácias, há ainda os colírios que contêm analgésicos, antiinflamatórios, antialérgicos ou antibióticos.

Essas variações devem ser usadas especificamente em cenários nos quais são indicadas por um médico oftalmologista. Seu uso indiscriminado pode causar problemas graves, como o glaucoma ou a catarata.

Agora que você já sabe como lavar os olhos corretamente, lembre-se de ter cuidado ao pôr a mão nos olhos e ao manusear lentes de contato. Outra dica legal é evitar compartilhar objetos de uso pessoal, como lenços e toalhas de rosto.

Em caso de qualquer alteração nos olhos ou na vista, não deixe de consultar um oftalmologista o mais rápido possível. Visite o seu médico especialista frequentemente.

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Ricardo Filippo

Ricardo Filippo

Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Durante sua vida acadêmica, participou de dezenas de congressos e simpósios, no Brasil e no exterior, e ministrou diversas aulas sobre Oftalmologia. Para mais informações sobre sua experiência na área, clique aqui.
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