Tem dificuldade para compreender a receita dos seus óculos? Saiba o que significa cada anotação

Um par de óculos em cima de uma mesa

Entender como ler uma receita de óculos de grau exige a compreensão de números, siglas e códigos específicos da oftalmologia. E isso é muito mais fácil do que parece. Veja como decifrar essa prescrição.

Números, siglas, nomes e códigos aparentemente incompreensíveis podem assustar ou deixar confusos quem se consultou com o oftalmologista e recebeu uma prescrição de óculos de grau.

Esses termos estranhos são utilizados para facilitar a comunicação entre o médico oftalmologista e as óticas. Por isso, é normal que as pessoas que não são da área tenham dúvidas sobre como ler uma receita de óculos. 

Embora não seja necessário que o paciente saiba como fazer a interpretação de prescrição oftalmológica, decifrar os números e siglas da receita pode deixá-lo mais tranquilo e informado sobre seus erros de refração.

Por isso, preparamos este guia para te ajudar a finalmente aprender como ler uma receita de óculos.

Termos comuns encontrados em uma receita de óculos

As receitas de óculos normalmente apresentam uma tabela com vários valores e termos diferentes. 

Por isso, o primeiro passo para entender como ler essa receita é entender os termos e números mais comuns encontrados nesse documento.

Entenda abaixo quais são esses termos e o que eles indicam na sua receita.

Esférico, cilíndrico e eixo

Ao observar a receita de óculos, é possível perceber a existência de três colunas distintas, com os termos esférico, cilíndrico e eixo.

O termo esférico se refere ao grau esférico, indicando a quantidade de correção necessária para miopia ou hipermetropia. O que diferencia esses dois problemas é o sinal que acompanha os números registrados na receita. 

Se essa coluna contiver números negativos, ou seja, com sinal de “-” na frente, então o paciente foi diagnosticado com miopia e os números se referem ao grau desse problema. 

Porém, se os números forem positivos, ou seja, com o sinal “+” na frente, então o paciente foi diagnosticado com hipermetropia

Por exemplo: -2,00 para miopia ou +1,50 para hipermetropia.

Já o termo cilíndrico ou cilindro indica o grau de correção para o astigmatismo. Ou seja, o paciente foi diagnosticado com essa condição ocular que precisa de correção. 

Porém, o grau de astigmatismo não é adicionado em toda a superfície da lente, somente acompanhado pelo Eixo. Isso porque o eixo descreve a orientação do astigmatismo na córnea do olho, sendo que sua medida varia entre 0 e 180°. 

Em outras palavras, quando o campo “Cilindro” é preenchido, o campo “eixo” também deve conter informações. 

Por exemplo, uma receita de óculos de um paciente diagnosticado com astigmatismo deve conter informações como -1,25 x 90. 

Distância naso-pupilar (DNP) e distância pupilar (DP)

A distância naso-pupilar (DNP) se refere a distância entre a pupila e o nariz. Já a distância pupilar (DP) é a medida da distância entre as pupilas. Geralmente, essa informação é apresentada em milímetros.

Esses termos se referem às medidas mais importantes para a fabricação dos óculos de grau. Isso porque elas indicam o local exato da lente em que o grau deve ser adicionado para corrigir a visão da pessoa. 

Se esse local não for marcado corretamente, ela poderá sentir desconforto, já que o seu problema não será corrigido.

Alguns oftalmologistas medem o DP e o DPN ainda durante a consulta, mas isso não é uma regra. 

Quando o médico não faz essa medição, essa informação não é adicionada na prescrição. Por isso, o próprio vendedor da ótica deve tirar as medidas do cliente. 

Adição

A receita também pode conter um campo chamado adição. Ele indica que o paciente precisa utilizar lentes multifocais, usadas para corrigir a presbiopia

Assim como outros termos utilizados na receita, a adição também acompanha o número de graus necessários para a correção da visão do paciente.

Prisma

O prisma indica o grau de correção de estrabismo. Ou seja, o paciente foi diagnosticado com essa condição ocular que precisa ser corrigida. 

Por isso, sua lente deve conter a correção do grau dessa condição ocular. No entanto, nem sempre esse termo é utilizado na receita dos óculos. 

O oftalmologista pode indicar o prisma apenas usando a letra grega delta (Δ). Por exemplo, ∆ 2,00. 

Vale lembrar que o médico também deve indicar a direção do prisma por posição (entre 0 e 180°) ou por Base (B). Essa base pode ser temporal (BO), nasal (BI), inferior (BD) e superior (BU). 

Tipo de lente

O oftalmologista pode informar na receita o tipo de lente mais indicado para o paciente, considerando seus erros de refração. 

O médico pode recomendar vários tipos de lente, sendo que os mais comuns são as monofocais, bifocais ou multifocais. 

Entenda as diferenças entre elas a seguir:

  • Monofocais: é a opção mais acessível, já que possui apenas um foco de visão. Pode ser usada para corrigir miopia, hipermetropia e astigmatismo;
  • Bifocais: ideal para quem tem dificuldade para enxergar de perto e de longe, já que possui dois focos de visão
  • Multifocais: também são indicadas para quem tem dificuldade para enxergar de perto e para longe. A diferença é que ela contempla as distâncias intermediárias, não possui nenhuma linha de demarcação entre perto e longe, e ainda são esteticamente mais agradáveis.

O que significam as abreviaturas e siglas frequentes em uma receita oftalmológica?

Além das siglas de termos mencionados anteriormente, o paciente pode encontrar outras abreviações importantes para entender como ler uma receita de óculos.

Confira abaixo uma lista completa das principais siglas utilizadas nessa prescrição:

  • Ad: Adição
  • Esf: Esférico
  • Cil: Cilíndrico
  • DNP: Distância naso-pupilar
  • DP: Distância-pupilar
  • OE: Olho esquerdo
  • OD: Olho direito
  • VL: Visão de Longe
  • VP: Visão de Perto
  • VI: Visão Intermediária
  • AV: Acuidade visual

Como utilizar a receita para escolher os óculos corretos? 

Não basta aprender como ler uma receita de óculos. É importante saber como utilizar essa prescrição para escolher os óculos corretos e melhorar a visão. 

Caso contrário, além de desperdiçar dinheiro, a dificuldade de enxergar não será resolvida.

Confira abaixo 5 dicas para aprender a fazer a escolha certa e evitar problemas.

1. Encontre uma ótica confiável

O primeiro passo para usar a receita de óculos corretamente é levar essa prescrição a uma ótica confiável. 

E isso não está relacionado ao valor dos óculos que a ótica oferece. É possível encontrar estabelecimentos que cobram valores baixos ou elevados que realizam um bom trabalho. 

O importante é se certificar de fazer os óculos em uma ótica que presta um bom atendimento e que entregue óculos de grau exatamente conforme determina a receita.

Por isso, a recomendação é que o paciente pesquise em quais óticas pode fazer um orçamento e se informe sobre a qualidade de trabalho desses estabelecimentos. 

2. Escolha o material das lentes

Ao contrário do que as pessoas imaginam, as lentes dos óculos de grau podem ser produzidas com diversos materiais. Além do vidro, elas podem ser confeccionadas em acrílico, policarbonato e até plástico de alto índice. 

Cada uma delas tem características de espessura, peso e resistência a riscos diferentes, o que também influencia no valor da sua confecção. 

O profissional da ótica deve ajudar o seu cliente a escolher qual desses materiais é o mais adequado com base na sua prescrição e preferências.

3. Escolha os tratamentos da lente

Os tratamentos de lentes são indicados para melhorar a qualidade e a durabilidade das lentes. Suas funções variam de acordo com o tratamento. 

As lentes fotocromáticas, por exemplo, escurecem em contato com a luz solar, tornando a visão mais confortável em ambientes claros. 

Já o tratamento antirreflexo bloqueia a luz transparente que incide nas lentes, tornando-as mais transparentes. 

Vale lembrar que esses tratamentos não são obrigatórios, mas podem tornar a visão mais confortável dependendo da situação.

4. Identifique o estilo da armação certo

Os óculos de grau têm grande impacto na aparência de seus usuários. Por isso, é importante se preocupar com a parte estética desse acessório, ou seja, com a armação. 

O ideal é que essa armação seja compatível com o gosto pessoal, o formato do rosto e o estilo de vida da pessoa. Como existem muitas opções de armação no mercado, é importante ter disposição para experimentar diferentes modelos até encontrar o mais compatível. 

5. Verifique a necessidade de ajustes

Após os óculos de grau ficarem prontos, a pessoa precisa experimentá-los o mais rápido possível para verificar se ele garante uma visão clara e confortável. 

Também é importante levar os óculos ao consultório do oftalmologista para verificar se as lentes realmente foram fabricadas conforme as orientações da receita. 

Caso seja necessário, o paciente deve retornar à ótica e solicitar que a empresa ajuste as lentes para que elas realmente melhorem sua visão.

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Dr. Ricardo Filippo

Dr. Ricardo Filippo

CRM: 5281096-7 | RQE: 17512. Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Durante sua vida acadêmica, participou de dezenas de congressos e simpósios, no Brasil e no exterior, e ministrou diversas aulas sobre Oftalmologia. Veja informações sobre sua experiência na área.
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